Exercício do pilates e a performance do ciclista!

É muito comum entre ciclistas os relatos de desconfortos como lombalgias e dores nos joelhos (disfunções fêmuro-patelares), ou reclamações de cansaço excessivo nos braços ou mesmo dormência nas mãos após treinos mais longos ou com longas subidas.

Isso pode parecer estranho, pois estamos acostumados a imaginar o ciclista somente pedalando. Como as pernas é que fazem o movimento de impulsionar os pedais, acabamos negligenciando o restante do corpo, que tem, sim, uma função muito importante no ciclismo.

Nos últimos tempos, tornou-se comum ouvirmos falar em CORE, músculos do CORE, ou mesmo estabilização do CORE.

Mas o que é o CORE e o que isso tem a ver com o ciclista, tanto de competição como o de fim de semana?

O sistema de estabilização central, ou CORE ESTABILIZATION, é constituído por vários tipos de tecidos, entre os quais podemos citar: os ossos e ligamentos, os músculos e tendões e o sistema nervoso. Ele funciona como se fosse um cilindro, envolvendo os músculos abdominais, os paravertebrais e os músculos da região glútea e assoalho pélvico e, ainda, o diafragma, formando o que Joseph Pilates chamou de Powerhouse, ou casa de força. Estes sistemas todos trabalham em conjunto e, através de sensores nervosos, o corpo sente como está a estabilidade e o equilíbrio de forças nos diversos tecidos e comanda o trabalho de cada grupo muscular.

Desta forma, quando um ciclista pedala num esforço acima de sua capacidade e coloca em risco os tecidos pela falta de estabilidade, estes sensores detectam o problema e analisam a possível ocorrência de lesão, agindo no sentido de diminuir automaticamente a potência muscular, evitando lesões nos tecidos moles, como por exemplo, as cartilagens e tendões.

Assim, o ciclista perde potência quando a musculatura não consegue sustentar o controle do CORE, diminuindo sua performance.

O ciclismo por ser um exercício repetitivo, onde o atleta executa o movimento dos pedais, tendo os pés e a pelve fixa, o que exige uma coordenação motora e uma execução de movimento muito precisas, pois diversas pesquisas mostram que a falta de estabilidade coloca a coluna lombar e os membros inferiores, principalmente a região dos joelhos, em risco de lesão.

Sendo assim, tanto em questão de manutenção de performance, como para diminuir os riscos de lesões decorrentes do esforço no ciclismo, é imprescindível buscarmos um fortalecimento inteligente e equilibrado de vários músculos, principalmente da região dos membros inferiores, glúteos, assoalho pélvico, abdominais e costais, afim de que o ciclista possa manter o máximo de eficiência nos movimentos, tanto em altas cadências quanto em momentos de muita força.

Quando estamos pedalando, temos o apoio das mãos, dos glúteos e dos pés em contato com a bike. Porém, todos estes são pontos de aplicação de força e estas forças precisam atuar de forma coordenada e sincronizada durante o exercício, onde os músculos de sustentação e os estabilizadores precisam ter força estática e flexibilidade suficiente para desempenharem sua função com eficiência, liberando assim os músculos do movimento do pedal para que cumpram seu papel com o máximo de capacidade.

Neste ponto, os exercícios de Pilates trazem ao ciclista um benefício muito grande, eliminando aquelas terríveis dores lombares após longos treinos ou longas subidas, facilitando a transferência de força dos braços às pernas na hora de uma arrancada e num sprint, melhorando o posicionamento dos joelhos eliminando desta forma uma série e problemas nos mesmos, como dores patelares e tendinites.

Os exercícios de Pilates fortalecem toda a região pélvica, ajudam a acertar o movimento dos joelhos, minimizando alguns desvios, estabilizam as cinturas pélvica e escapular, fortalecem a região abdominal, além de dar ao atleta um maior controle corporal, possibilitando uma maior integração entre o sistema muscular e nervoso, refinando o movimento.

Um corpo fortalecido pela prática de Pilates trabalhará como um conjunto perfeito, onde cada músculo efetuará seu trabalho, seja ele de movimento ou sustentação, sem causar desequilíbrios que possam comprometer alguma estrutura corporal, e o mais importante, evitando desperdício de forças, tornando o movimento muito mais eficiente, aumentando a performance dos ciclistas nas corridas e treinos.

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